Política Não é Pecado

" Quando não há sábia direção, o povo cai; mas na multidão de conselheiros há segurança." ( Pv. 11:14)
 
O que é política? É " a arte de bem governar OS povos"; " sistema de regras respeitantes à direção dos negócios públicos" ; " ciência dos fenômenos referentes ao Estado" ; eis aí, entre outras definições sem rebuscamentos científicos, o que diz o Aurélio sobre política.
Poderíamos acrescentar: Política é a ciência que define programas  e prioridades de administração pública no interesse do bem comum. Sendo assim, política está na Bíblia desde OS primeiros capítulos do Gênesis. O que está escrito lá?
 
" ...enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre OS peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo o animal que rasteja pela terra" (Gn. 1;28). E mais:
" Havendo, pois, o Senhor Deus formado a terra todos OS animais do campo, e todas as aves dos céus, trouxe-OS ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o Nome que o homem desse OS seres viventes, esse seria o Nome deles" ( Gn. 2:19).
 
O que isto significa senão Deus entregando poder político a Adão? Então, política não é pecado.
Sem política, não há administração, não há exercício do poder de polícia, não há aplicação DA lei, não há justiça, não há desenvolvimento, não há organização DA sociedade.
Mas a verdadeira Política se escreve  com “P" maiúsculo; política com corrupção, com falcatruas, com injustiça, com opressão, com exploração, é politicalha, é politiquice; e isso, sim, é pecado.
 
" Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não faz, nisto está pecando" (Tg. 4:17).
 
" Toda injustiça é pecado" ( I Jo. 5:17 a).
 
Uma idéia antiga
           
No Brasil, Grande parte dos evangélicos e muitos pastores crêem e ensinam que " política é pecado" e que o crente que se envolve na vida pública vai se  corromper e se desviar.
Como essa idéia de que " política é pecado" tomou corpo no seio DA comunidade evangélicas brasileira, sobretudo entre OS crentes mais humildes e as igrejas mais populares? São várias as razões, e vamos falar rapidamente sobre algumas.
A)      A simplicidade dos pastores pioneiros 
 
No começo DA evangelização do Brasil, um Grande contingente de pastores e obreiros não possuía maiores conhecimentos intelectuais e das verdades bíblicas. Eram pessoas simples, semi-alfabetizadas, conhecedores apenas de alguns rudimentos fundamentais do Evangelho. Não tinham tempo nem condições para estudos mais profundos.
Os crentes eram pobres, humildes, sem qualquer projeção social. Política, àquela época, era atividade exclusiva de "coronéis", doutores e milionários. Assim, era mais pratico e mais fácil o isolamento e a aplicação do carimbo de que " política é pecado", " é coisa do diabo".
Ora, a legítima ação DA política é construir, dignificar, beneficiar, elevar, melhorar, socorrer, ajudar. A preocupação do diabo é " matar, roubar e destruir" ( Jo. 10:10). Logo, política não é "coisa de satanás"; mas é claro que ele USA as fraquezas de alguns políticos para deixar essa impressão e afastar crente sinceros DA  atividades política.
 
B)      A impossibilidade de atuação dos missionários
Apesar de oriundos de terras onde a maioria dos políticos são protestantes e evangélicos (Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Suécia), muitos missionários pioneiros provinham DA área rural e de pequenas cidades.Eram pessoas humildes, desempregados profissões só exercidas por integrantes das classes menos favorecidas. Assim, nos seus países de origem não participavam DA liderança política e administrativa e administrava das comunidades. Por outro lado, na condição de estrangeiros, não podiam ser candidatos, mesmos que quisessem.Preferiram, então, a omissão quanto a uma doutrinação sobre a importância DA atuação do cristão na vida pública. Na realidade, tinham outras prioridades e outra missão.
 
c)      Insegurança de muitos pastores
 
Sem dúvida, muitos pastores alimentaram e alimentaram essa invencionice de que " política é pecado", pela insegurança que possuem em relação à sua própria liderança. Imaginam que depois de eleito, um vereador, um prefeito ou um deputado, membro de sua igreja, passará a ser uma ameaça à sua autoridade e ao seu comando pastorais, pelo poder e prestígio que passaram a ter dentro DA comunidade. É verdade que Ali ou acolá isso já aconteceu, mas um fato isolado não pode servir de motivos para que um pastor inseguro articule uma "doutrina" ou uma orientação que termina prejudicando a representatividade de um grupo ou impedindo que um servo de Deus seja numa Câmara de Vereadores, numa Prefeitura ou numa Assembléia Legislativa.
            Problemas de divisão de igrejas, usurpação de liderança ou semelhantes ocorrem todos OS dias, entre OS  próprios pastores e nem por isso nenhum deles está defendendo o fechamento dos seminários ou a extinção das faculdades teológicas e dos institutos bíblicos.
 
d)      Interpretação  incorretas
 
Há também  aqueles que fazem interpretações apressadas DA Bíblia e imaginam que, combatendo a atividade político-partidária dos membros de suas igrejas estão mantendo essas pessoas longe do pecado, da corrupção, do desvio; longe do "mundo". Mas Jesus disse claramente: " Pai, não peço que os tire do mundo mas que os guardes do mal" (Jo.17:15). Ora, segundo essa ótica vesga de que toda a corrupção, toda a maldade, toda a tentação, como explicar o desvio de comerciantes, comentários, pedreiros, motoristas, donas de casa, operários, marceneiros, bancários, diáconos, presbitérios, pastores, que não são e nem foram vereadores, prefeitos, deputados e que cometem os mais diversos pecados e estão fora da igreja? Algum pastor já proibiu ou condenou as atividades profissionais exercidas por essa pessoa por causa dos seus fracassos e desvios? Seria um absurdo se assim o fizesse.
             
            É muito estranho que pastores continuem combatendo a atividade política dos cidadãos, e grandes partes desses mesmos pastores viva fazendo " política eclesiástica" na denominação, nas convenções, em congressos, em concílios, em sínodos, em entidades interdenominacionais, buscando cargos e posições.
            Ora, vamos deixar de cavilações e hipocrisia... Quem quer pecar e se desviar, peca e desvia-se seja qual for a profissão ou cargo que exerce. Quem não quer, basta seguir a orientação de Jesus:
 
            " Vigiai e orai para que não entreis em tentação" ( Mt. 26:41 a).
 
O exemplo da Coréia do Sul
 
            Não há, neste fim de século XX, país onde o Espírito Santos esteja atuando de maneira mais abrangente e efetiva do que na Coréia do Sul. As igrejas de lá " oram sem cessar " e evangelizam " a tempo e fora de tempo ". Pois bem, os pastores e os crentes da Coréia do Sul têm a clara compreensão de que é preciso participar da política, se querem ser sal da terra.
            Com uma presença evangélica de poucas décadas no país, enfrentando uma cultura avessa ao Cristianismo, os crentes da Coréia do Sul já têm cerca de 30% da Assembléia Nacional (que tem um total de 299 membros), e o presidente da República, Kim Young-Sam, é um presbítero de uma das principais igrejas presbiterianas de Seul.
            Quando vamos  ter essa benção em nossas mãos? Breve. Deus quer. Basta o leitor querer, orar e agir neste sentido.
 
Política no Velho e no Novo  Testamentos
 
                  
" Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela (...) Farei de ti uma grande nação."
 ( Gn. 12:1-2)
 
Quando Jeová fez esse pacto inesperado com Abrão e mandou que ele abandonasse a cada do seu pai e saísse peregrinando para estabelecer uma nação em terra distante, estava adotando uma atitude política. O que pode ser mais político do que o rompimento de laços consangüíneos, éticos, culturais, religiosos, históricos, para o estabelecimento de um novo povo, uma nova ordem jurídica, uma nova civilização?
Quem foram, então, Abraão, Isaque e Jacó, senão patriarcas fundadores de um povo escolhido por Deus para cumprir seus desígnios espirituais, religiosos e também político aqui na terra?
Quem foi José do Egito? Primeiro-ministro, vice-rei, planificador econômico, administrador geral do Egito, exercendo influência direta sobre todos os povos que viviam sob o domínio dos Faraós. Basta ler Gênesis, capítulos 37 a 50, e teremos a biografia completa de um dos maiores políticos de toda a historia da humanidade. Quem usou José? Deus. Logo, política não é pecado.
Quem foi Moisés? Primeiro Deus providenciou para que ele fosse preparado intelectualmente nas melhores escolas da época:
 
"  E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios, e era poderoso em palavras e obras" (At. 7:22).
 
Depois, Jeová levou-o para os desertos de Mídia e preparou espiritualmente durante 40 anos ( At. 7:30-33) e, em seguida, fez dele o chefe supremo de uma revolução sem armas que libertou o povo de Israel da escravidão e empreendeu uma longa caminhada em direção à terra prometida. O que é isso, senão política? Moisés foi um dos maiores estadistas de toda a história da humanidade. E quem o usou? Deus. Logo, política não é pecado.
 
 
Os juízes e os reis
 
Os juízes, o que foram? Sansão, Gideão, Débora, Samuel? Políticos, guerreiros, administradores que funcionavam como executantes da vontade suprema de Deus, no exercício de um governo teocrático.
Quando o povo exigiu um rei e Samuel ficou decepcionado e triste, o que Deus disse para ele?
 
" ...Atende à voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te rejeitaram a ti, mas a mim, ,para eu não reinar sobre eles" ( I Sm. 8:7 ) – O grifo é nosso-.
 
O que é reinar? É administrar, decidir, mandar, executar, julgar, fazer política. Quem fazia isso? Deus, através dos juízes que eram seus delegados. Istoé Deus fazia política não é pecado.
Vem, a seguir, o regime monárquico. Primeiro Saul, depois Davi, seguida Salomão, Ezequias, Uzias, Josias e muitos outros. Fizeram maravilhas, usados por Deus. Cometeram erros e transgressões também. Erraram porque eram políticos? Não. Porque eram pessoas falíveis, sujeitas ao pecado como quaisquer outras.
 
Daniel
 
O jovem israelita usado por Deus na corte de Nabucodonosor, de Dario, de jovem de linhagem real, altamente preparado ( Dn. 1:3-4).
Depois de um período de três anos de aprendizado ( Dn. 1:5),em que Daniel e seus três amigos demonstraram firmeza de fé e temor a Deus, não participando dos manjares do rei, porque eram sacrificados a ídolos ( Dn. 1:8-16), os quatros foram designados para a assessoria do palácio( Dn. 1:19-21). A seguir, foram assumindo funções mais relevantes, embora sempre provados na sua integridade espiritual. Enfrentaram leões e fornalhas ardentes, mas não deixaram de proclamar que só o Senhor é Deus, nem se inclinaram para adorar ídolos ou potestades. A cada prova, eram mais exaltados politicamente ( Dn. 2:48-49; 5:29).
Quem deu vocação, preparação e oportunidade para o profeta Daniel ser político? Deus.
 
" A ti, ó Deus de meus pais, eu te rendo graças e te louvo, porque me deste sabedoria e poder" (Dn. 2:23 a). – O grifo é nosso-.
 
A sabedoria era espiritual; o poder era político, material. Quem os deus? Jeová. Logo, política não é pecado.
 
Outros muitos
 
Poderíamos continuar falando sobre a rainha Ester - escolhida previamente para adotar uma decisão história e fundamental para o povo de Deus – e o ministro Mardoqueu ( Ester4:13-16); o estadista Neemias e o assessor Isaías, além dos profundos ensinamentos do Velho e do Novo testamentos sobre justiça social, administração, planejamento, direito civil, direito penal, direito administrativo, direito de família, reforma agrária, ética na vida pública, honestidade administrativa, e muitas outras matérias ligadas à Política com o " P" maiúsculo.
 
José de Arimatéia
 
Nada mais claro, insofismável e revelador da aprovação de Deus com relação à atividade política, do que a Sua suprema providências ao sepultamento de Jesus. José de Arimatéia e Nicodemos eram membros do Sinédrio ( conjugação das atribuições do Senado da República com as do Supremo Tribunal Federal, no caso do Brasil, acrescentando-se prerrogativas religiosas, atinentes à época, às normas legais e às tradições judaicas).
Por que Deus destinou dois senadores para aquele propósito?  Ora, porque eles tinham imunidades. Não poderiam ser presos. O momento era difícil, inseguro, pleno de ameaças e risco para quem fosse seguidor, parente ou amigo de Jesus. Menos para os que detinham posição política, caso de José de Arimatéia e Nicodemos ( Mt.27:57-61; Lc.23:50-53; Jô.19:38-39 ).
Valer ressaltar o relato de Marcos, quando afirma que José de Arimatéia falou ousadamente; outras versões falam resolutamente. O que lhe dava essa condição de falar sem medo?A autoridade do seu cargo; suas imunidades.
Da mesma forma como Deus usou a rainha Ester para livrar o Seu povo do morticínio no tempo do rei Assuero, usou o senador José Arimatéia para fazer cumprir o que havia sido predito pelo profeta Isaías sobre o sepultamento de Jesus (Is.53:9).
 
Dai a César...
 
Quando teve oportunidade falar sobre o assunto próprio de administração pública, Jesus não usou linguagem difícil, nem metafórica. Foi direto:
 
" Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mt. 22:21).
 
O ensino de Paulo
 
O apóstolo Paulo - grande teólogo do Novo Testamento-, em mais de uma oportunidade, ensina sobre respeito e obediência aos políticos que estão investidos de autoridade ( Ro. 13:1-7; I Tm. 2:2 ).
Ora, se a política fosse pecado, como o Espírito Santo haveria de inspirar o apóstolo Paulo para ensinar obediência aos políticos e oração intercessória em favor deles?
 
O ensino de Pedro
 
Por sua vez, o apóstolo Pedro que conviveu cerca de três anos diretamente com Jesus, sabia muito bem o pensamento do Divino Mestre e ensinou sem sombra de dúvida:
 
" Sujeita-vos a toda instituição humana por causa do Senhor; quer seja o rei, como soberano; quer às autoridades como enviadas por Ele, tanto para castigo dos malfeitores, como para louvor dos que praticam o bem" ( I Pe.2:13-14 ).
 
Ora, voltamos a enfatizar, para que fique bem claro e indesmentível: se política fosse pecado, como o Espírito Santo haveria de inspirar o apóstolo Pedro a ensinar dessa forma?


Fonte: Mara Lima 45123

   
 
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